MÚSICA “A CARNE” DE ELZA SOARES: A LUTA HISTÓRICA DOS NEGROS CONTRA A EXPLORAÇÃO DE SEU TRABALHO

 

Fonte Imagem: Reprodução/https://www.letras.mus.br/elza-soares/281242/

Os materiais didáticos de História costumam contar sobre a trajetória dos negros ao longo do tempo, dando pouca ênfase nos movimentos contestatórios do processo de escravização no Brasil. Entretanto, as lutas foram muitas e, até os dias atuais, podemos perceber algumas continuidades sobre a falta de valorização do trabalho negro - embora isso ocorra em um outro contexto histórico. Assim, a música de Elza Soares, “A CARNE”, traz muitas reflexões sobre o valor que é dado ao trabalho do negro no Brasil na atualidade, transpondo também, algumas relações com o período de escravização dos negros no passado.

 

Elza Soares: MULHER, NEGRA e de origem SUBURBANA. A cantora nos deixou um legado de músicas reflexivas sobre os problemas que as “ditas minorias” (em termos quantitativos = maiorias) sofrem no dia a dia no Brasil. Em especial, a cantora aborda temas sobre a DISCRIMINAÇÃO, RACISMO e PRECONCEITO quanto aos negros, já que, esses problemas fizeram parte de sua vida.

A música “A CARNE” faz relação entre o valor do trabalho dos negros no Brasil com o valor da carne animal. A partir disso, podem surgir várias interpretações tanto dos professores quanto dos alunos. Porém, não se pode deixar de lado a visão de que em muitos casos os negros são submetidos a trabalhos que pagam menos do que o preço estipulado pelo mercado da carne no Brasil. Ou então, que são pessoas, que na maioria das vezes, estão sujeitas ao trabalho análogo à escravidão. Ou seja, muitos trabalhadores que fazem parte da base da pirâmide econômica do Brasil, não recebem o suficiente nem para ter segurança alimentar e, portanto, são pessoas de “carne e osso” mais baratas do mercado de trabalho.

 

PROPOSTA PEDAGÓGICA: A MÚSICA COMO PONTE DE PESQUISA PARA A ATUALIDADE

 

Após uma contextualização histórica do tráfico negreiro e das formas de escravização dos negros no Brasil no Período Colonial, demonstre como era a privação de liberdade desses sujeitos históricos. Mostre também, as diferenças PREDOMINANTES dos trabalhos e funções em diferentes cenários em nossa Colônia Portuguesa. Você pode encontrar diferentes comparações, entretanto, hoje trouxe duas sugestões:


1)     TRABALHO URBANO X RURAL: Observe as diferenças entre o trabalho urbano e rural, será que a sobrecarga era a mesma? Reflita com os alunos que mesmo com uma sobrecarga diferente a PRIVAÇÃO DA LIBERDADE é um elemento em comum às duas imagens e que fazia do sujeito negro uma pessoa sem poder de escolha de sua própria vida.




2)    TRABALHO FEMININO X MASCULINO: precisamos pensar que de maneira majoritária os homens trabalhavam nas lavouras e as mulheres na “Casa Grande” com serviços domésticos. Quais riscos as mulheres negras corriam? E os homens?

 



Após essa contextualização, peça que os alunos acompanhem a música A CARNE produzida pela cantora Elza Soares:


Link da música Elza Soares: https://www.youtube.com/watch?v=yktrUMoc1Xw

 

Material de apoio para os alunos:




Aproveite que os alunos hoje em dia utilizam seus dispositivos móveis como se fossem inseparáveis de seu próprio corpo. Envie essa imagem acima pelo grupo de Whatsapp da turma e peçam para acompanhar a letra.

 

Como pode observar, essa letra faz uma referência entre o passado escravista dos africanos e seus descendentes, além de mostrar que as condições de boa parte dos negros da atualidade ainda vivem em condições análogas à escravidão ou, com alguma regulamentação, porém, sem receber o suficiente para uma vida digna.

Observe o trecho retirado do texto que define trabalho análogo à escravidão no Brasil hoje:

 

Considera-se trabalho realizado em condição análoga à de escravo a que resulte das seguintes situações, quer em conjunto, quer isoladamente: a submissão de trabalhador a trabalhos forçados; a submissão de trabalhador a jornada exaustiva; a sujeição de trabalhador a condições degradantes de trabalho; a restrição da locomoção do trabalhador, seja em razão de dívida contraída, seja por meio do cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, ou por qualquer outro meio com o fim de retê-lo no local de trabalho; a vigilância ostensiva no local de trabalho por parte do empregador ou seu preposto, com o fim de retê-lo no local de trabalho; a posse de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, por parte do empregador ou seu preposto, com o fim de retê-lo no local de trabalho (MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA)

 

Para saber mais informações sobre TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO do Ministério da Saúde, acesse AQUI.

 

Com base na música da Elza Soares e na imagem abaixo, estabeleça uma reflexão:

 


1)     Como era a escravização do período colonial e imperial?

2)    Como podemos relacionar as condições de trabalho da população brasileira?

3)    Quais são as semelhanças e diferenças do trabalho forçado do passado com o presente?

 

PEÇA QUE OS ALUNOS REALIZEM PESQUISAS DE NOTÍCIAS QUE CONTENHAM TRABALHOS ANÁLOGOS À ESCRAVIDÃO NO BRASIL ATUAL!

Será uma excelente forma de realizar uma reflexão crítica sobre a forma como concebemos o trabalho de grande parte da população, além de demonstrar que, a abolição no Brasil não significou a interrupção instantânea dos trabalhos forçados, sendo um fator que ocorreu de maneira processual.

É importante ressaltar que essa aula tem o objetivo da CONSCIENTIZAÇÃO dos alunos sobre as PERMANÊNCIAS e RUPTURAS da exploração do trabalho negro, sendo necessárias várias outras aulas que demonstrem os MOVIMENTOS CONTESTATÓRIOS DOS NEGROS em cada momento histórico. Isso é importante para que os alunos não tenham a impressão de que a única contribuição para o Brasil se limitou ao aspecto econômico, mas, também, como um povo que lutou, resistiu e trouxe muita cultura para nosso país.

 

Um forte abraço virtual, e espero ter contribuído um pouco para a formação de meus leitores!


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