Os
materiais didáticos de História costumam contar sobre a trajetória dos negros
ao longo do tempo, dando pouca ênfase nos movimentos contestatórios do processo
de escravização no Brasil. Entretanto, as lutas foram muitas e, até os dias
atuais, podemos perceber algumas continuidades sobre a falta de valorização do
trabalho negro - embora isso ocorra em um outro contexto histórico. Assim, a
música de Elza Soares, “A CARNE”, traz muitas reflexões sobre o valor que é
dado ao trabalho do negro no Brasil na atualidade, transpondo também, algumas
relações com o período de escravização dos negros no passado.
Elza Soares: MULHER, NEGRA e de
origem SUBURBANA. A cantora nos deixou um legado de músicas reflexivas sobre os
problemas que as “ditas minorias” (em termos quantitativos = maiorias) sofrem no
dia a dia no Brasil. Em especial, a cantora aborda temas sobre a DISCRIMINAÇÃO,
RACISMO e PRECONCEITO quanto aos negros, já que, esses problemas fizeram parte
de sua vida.
A música “A CARNE” faz relação
entre o valor do trabalho dos negros no Brasil com o valor da carne animal. A
partir disso, podem surgir várias interpretações tanto dos professores quanto
dos alunos. Porém, não se pode deixar de lado a visão de que em muitos casos os
negros são submetidos a trabalhos que pagam menos do que o preço estipulado
pelo mercado da carne no Brasil. Ou então, que são pessoas, que na maioria das
vezes, estão sujeitas ao trabalho análogo à escravidão. Ou seja, muitos
trabalhadores que fazem parte da base da pirâmide econômica do Brasil, não
recebem o suficiente nem para ter segurança alimentar e, portanto, são pessoas
de “carne e osso” mais baratas do mercado de trabalho.
PROPOSTA
PEDAGÓGICA: A MÚSICA COMO PONTE DE PESQUISA PARA A ATUALIDADE
Após uma contextualização histórica
do tráfico negreiro e das formas de escravização dos negros no Brasil no Período
Colonial, demonstre como era a privação de liberdade desses sujeitos
históricos. Mostre também, as diferenças PREDOMINANTES dos trabalhos e funções em
diferentes cenários em nossa Colônia Portuguesa. Você pode encontrar diferentes
comparações, entretanto, hoje trouxe duas sugestões:
1) TRABALHO
URBANO X RURAL: Observe as diferenças entre o trabalho urbano e rural, será que
a sobrecarga era a mesma? Reflita com os alunos que mesmo com uma sobrecarga
diferente a PRIVAÇÃO DA LIBERDADE é um elemento em comum às duas imagens e que
fazia do sujeito negro uma pessoa sem poder de escolha de sua própria vida.
2) TRABALHO
FEMININO X MASCULINO: precisamos pensar que de maneira majoritária os homens
trabalhavam nas lavouras e as mulheres na “Casa Grande” com serviços
domésticos. Quais riscos as mulheres negras corriam? E os homens?
Após essa contextualização, peça que os alunos acompanhem a música A CARNE produzida pela cantora Elza Soares:
Link da música Elza Soares: https://www.youtube.com/watch?v=yktrUMoc1Xw
Material de apoio para os alunos:
Aproveite que os alunos hoje em
dia utilizam seus dispositivos móveis como se fossem inseparáveis de seu
próprio corpo. Envie essa imagem acima pelo grupo de Whatsapp da turma e peçam
para acompanhar a letra.
Como pode observar, essa letra faz
uma referência entre o passado escravista dos africanos e seus descendentes,
além de mostrar que as condições de boa parte dos negros da atualidade ainda
vivem em condições análogas à escravidão ou, com alguma regulamentação, porém,
sem receber o suficiente para uma vida digna.
Observe o trecho retirado do
texto que define trabalho análogo à escravidão no Brasil hoje:
Considera-se
trabalho realizado em condição análoga à de escravo a que resulte das seguintes
situações, quer em conjunto, quer isoladamente: a submissão de trabalhador a
trabalhos forçados; a submissão de trabalhador a jornada exaustiva; a sujeição
de trabalhador a condições degradantes de trabalho; a restrição da locomoção do
trabalhador, seja em razão de dívida contraída, seja por meio do cerceamento do
uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, ou por qualquer
outro meio com o fim de retê-lo no local de trabalho; a vigilância
ostensiva no local de trabalho por parte do empregador ou seu preposto, com o
fim de retê-lo no local de trabalho; a posse de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, por parte do empregador ou seu preposto, com o fim de
retê-lo no local de trabalho (MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA)
Para saber mais informações sobre
TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO do Ministério da Saúde, acesse AQUI.
Com base na música da Elza Soares e na imagem
abaixo, estabeleça uma reflexão:
1) Como era
a escravização do período colonial e imperial?
2) Como
podemos relacionar as condições de trabalho da população brasileira?
3) Quais são
as semelhanças e diferenças do trabalho forçado do passado com o presente?
PEÇA QUE OS ALUNOS REALIZEM
PESQUISAS DE NOTÍCIAS QUE CONTENHAM TRABALHOS ANÁLOGOS À ESCRAVIDÃO NO BRASIL
ATUAL!
Será uma excelente forma de realizar uma reflexão crítica sobre a forma como
concebemos o trabalho de grande parte da população, além de demonstrar que, a
abolição no Brasil não significou a interrupção instantânea dos trabalhos
forçados, sendo um fator que ocorreu de maneira processual.
É importante ressaltar que essa
aula tem o objetivo da CONSCIENTIZAÇÃO dos alunos sobre as PERMANÊNCIAS e
RUPTURAS da exploração do trabalho negro, sendo necessárias várias outras aulas
que demonstrem os MOVIMENTOS CONTESTATÓRIOS DOS NEGROS em cada momento
histórico. Isso é importante para que os alunos não tenham a impressão de que a
única contribuição para o Brasil se limitou ao aspecto econômico, mas, também,
como um povo que lutou, resistiu e trouxe muita cultura para nosso país.
Um forte abraço virtual, e espero ter contribuído um pouco para a formação de meus leitores!
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5 SUGESTÕES DE MÚSICAS PARA TRABALHAR NO ENSINO DE HISTÓRIA
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