A música é
um ótimo recurso lúdico para ser usado em sala de aula. E melhor do que
utilizá-la como uma maneira de fixar a atenção do aluno nas explicações, é ver
o contexto em que ela foi escrita, quem
escreveu e por que foi produzida. Ou seja, a importância da música ser tratada
como fonte histórica. Hoje, trouxe uma opção de música produzida por Anavitória
e Rita Lee, chamada “Amarelo, Azul e Branco”, do início de 2021, para o
trabalho de reflexão sobre a identidade brasileira no passado e na atualidade.
Em outra postagem, AS PRESSÕESSOBRE HISTORIADORES PARA UMA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE, trouxe as primeiras
noções sobre esse assunto, além das dificuldades em trabalhar com esse tipo de
pesquisa. Mas, e na sala de aula? De que maneira podemos relacionar o presente
com o passado sem correr risco de fazer anacronismo? Veja logo abaixo algumas
opções de como realizar a leitura da música, relacionando a construção da identidade,
iniciada no período imperial, passando pela Proclamação da República, chegando
até os dias atuais.
CONTEXTUALIZAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO
POVO BRASILEIRO
Para quem é da área de História
sabe que a identidade nacional é fruto de uma CONSTRUÇÃO elaborada ao LONGO DO
TEMPO. Como fomos colonizados por Portugal, durante quase 3 séculos, foi difícil
uma definição inicial do que era o Brasil e quem eram os brasileiros. Nós somos
frutos de uma construção da identidade nacional, nascida de uma crise institucional
da Coroa Portuguesa, que culminou na necessidade de fortalecimento da
identidade do país. De modo geral, nossa Independência não significou um
rompimento total com laços portugueses, já que D. Pedro I, filho do monarca D.
João IV de Portugal, permaneceu como Imperador do Brasil. Nós tínhamos uma
Coroa que ainda tinha forte ligação com a nossa antiga Metrópole. Assim, a
centralização do poder ainda estava nas mãos de um português, deixando pouco
espaço para a participação política da sociedade. Contudo, a parcela da
sociedade que mais sentiu a pouca participação na política foi a elite,
acostumada a ter uma maior influência do que o restante da população.
Com a abdicação de Dom Pedro I,
instaurou-se uma crise sucessória, já que Dom Pedro II ainda era menor de idade.
Nesse sentido, houve uma fragmentação territorial e política. Assim, foram desencadeados vários movimentos sociais separatistas,
com forte tendência a não aceitação da permanência lusitana no país, que
insistia em participar ativamente das decisões políticas no Brasil. Naquele
momento, havia dois modos de continuar com a unidade nacional: militarmente ou construindo
uma identidade nacional.
A princípio, como forma de construção
dessa identidade brasileira, foram elencados alguns elementos que faziam do
Brasil uma nação diferente de Portugal como: a natureza exuberante e o
brasileiro como a união de várias etnias. Foi desse momento, inclusive, que as
primeiras ideias do mito da miscigenação das três raças foram difundidas entre
aqueles que tinham um projeto de nação.
No advento da República do
Brasil, que simbolizou um maior rompimento com os lusitanos, tornou-se
necessária a criação de símbolos nacionais, tais como uma nova bandeira, hino
nacional, a construção de um herói (Tiradentes) etc. Assim, a identidade do
povo brasileiro foi se constituindo gradativamente. E embora não seja uma
construção estática, ela apresenta continuidades em sua constituição. Ou seja,
essa identidade e nacionalismo foram construídos ao longo do tempo com o
intuito do desenvolvimento do sentimento de pertencimento à uma nação: O
BRASIL.
POSSIBILIDADES METODOLÓGICAS COM
A MÚSICA: AMARELO, AZUL E BRANCO
A música de Anavitória e Rita Lee
(Amarelo, Azul e Branco), podem ter várias interpretações, porém, destaco
algumas expressões chaves para um ponto de partida, permitindo a reflexão dos
alunos para o entendimento da identidade de um povo, que no nosso caso, é o
Brasil.
Link de acesso à música: https://www.youtube.com/watch?v=8FuF4w-vLmM
Para mim, o ponto principal da
música é esse. O que faz um povo se constituir enquanto nação, é a
identificação do “NÓS” e diferenciação do “OUTRO”. Para existir um brasileiro, é
preciso ter um outro aglomerado de pessoas em um determinado território que não
nos identificamos. Cabe aqui uma discussão sobre o que seria hoje o povo
brasileiro e como era essa mentalidade no Império? E na Proclamação da
República? O que ainda permanece? Seria a bandeira, hino, território, língua?
Quem faz parte do Brasil hoje? Todas as partes do Brasil são iguais?
É importante ressaltar que não
existe uma resposta pronta para essas perguntas, o mais interessante é que os
alunos reflitam sobre o que nos une e o que nos diferencia. Esse processo pode
promover, junto aos alunos, o que faz de nós nos sentirmos brasileiros.
Aqui me fez refletir sobre o engessamento
do que é o povo brasileiro. Será que nos limitamos a gostar de Carnaval, de caipirinha
e feijoada? O Estado tem que tipo de participação nisso? E a mídia? O povo é
mesmo alienado a ponto de não refletir sobre essas questões? Tem UMA identidade,
ou, IDENTIDADES?
“Meu caminho é novo, mas meu povo não”
Achei essa frase sensacional,
porque traz uma noção de continuidade da brasilidade no decorrer da nossa
história. Ou seja, os jovens brasileiros são novos nessa questão do sentimento nacionalista,
porém, seus antepassados não são. E isso, promove uma união enquanto povo
brasileiro.
Quando escutei essa música logo
associei a este momento da História que pode ser ponte de reflexão sobre a
identidade do povo brasileiro. Espero que tenham gostado do conteúdo e se
realizarem essa abordagem, conte para mim qual foi o resultado.
Abraços virtuais!😃
Referência
BARBATO, Luis Fernando Tosta. A
construção da identidade nacional brasileira: necessidade e contexto. Revista
Eletrônica História em Reflexão: Vol. 8 n. 15 – UFGD – Dourados, jan/jun –
2014.
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