Joaquim
José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, foi um membro importante da
Inconfidência Mineira. Ele tinha pensamentos separatistas sobre Minas Gerais e a
metrópole Portugal, desejando que a tornasse uma República. Entretanto, embora
essas ideias tenham sido bastante importantes para nossa História, será que ele
era o único do movimento? Por que comemoramos um feriado somente dele?
O Brasil era ainda uma Colônia, e
a população de Minas Gerais, estava bastante cansada das taxações sobre o ouro advindo
da mineração. Formou-se, então, um grupo pertencente, majoritariamente, à elite
socioeconômica, dentre eles, a figura de Tiradentes. Várias reuniões aconteceram
e ele era um dos membros mais participativos do movimento. Entretanto, antes
que os planos fossem concluídos, foram denunciados e, como consequência disso, Tiradentes
foi sentenciado à morte, esquartejado e suas partes corporais expostas para
servir de exemplo, para que não houvesse outros movimentos separatistas no
Brasil.
Dessa maneira, compreende-se que as
perguntas do enunciado deste post não são muito simples de serem respondidas.
Tiradentes teve sim um papel importante na História do Brasil, através da
participação da Inconfidência Mineira, só que a construção de sua história pode
ser interpretada de diferentes maneiras.
ADVENTO DA REPÚBLICA DO BRASIL E
A NECESSIDADE DE ENCONTRAR UM HERÓI NACIONAL
Antes do advento da República no
Brasil, Tiradentes não tinha tanta importância que se teve após esse evento.
Hoje em dia existem diversas pesquisas que tentam compreender quem era
Tiradentes e, algumas, mostram como na época do Brasil Colônia ele não tinha a
imagem que temos nos dias de hoje. Como forma de ilustração, segue um trecho de
um fragmento de Joaquim Norberto de Souza Silva, escrito em 1881, sobre como
era a imagem de Tiradentes:
Fonte: Reprodução/ Documento de Joaquim
Norberto de Souza Silva
Percebe-se que Tiradentes, pela
ótica do escritor Joaquim Silva, foi um homem que era patriota forte e se
transformou em uma figura mais religiosa no momento de sua execução. Não
configurando necessariamente em uma imagem heroica como nos dias atuais.
Entretanto, anos mais tarde da Inconfidência
Mineira, com a transformação de um Império em República, seria necessário que a
antiga figura da Família Real, até então representante da centralização
política do Brasil Império, fosse diluída e deslocada para um herói que fosse a
favor de uma emancipação política. E ainda mais, que essa nova personalidade
tivesse uma imagem de uma pessoa que pudesse ser identificada pela população brasileira
através do “sacrifício” de Tiradentes para salvar seu “povo”.
Assim, sem nenhuma imagem real encontrada
de Tiradentes, foram feitas várias representações que foram associadas e comparadas,
inclusive, com o sacrifício de Jesus Cristo no momento de sua morte. Por isso,
Tiradentes possui muitas representações, imagéticas e monumentais, lembrando o
rosto de Jesus, ainda que provavelmente, através de pesquisas mais recentes, supõe-se
que no momento de sua morte ele se encontrava de cabelos e barbas raspados –
costume da época do tratamento de prisioneiros. Além do mais, pelo posto de alferes
que ele já tinha alcançado, provavelmente a imagem dele poderia ser semelhante
a um militar da cavalaria Real.
Assista AQUI um vídeo do canal no
Youtube chamado Nerdologia, que explica com mais detalhes sobre a figura de
Tiradentes no contexto da Inconfidência Mineira.
Desta forma, a maneira como
concebemos a ideia de Tiradentes, ainda é muito associada à construção de uma
memória para a legitimação política dos militares na República Velha. Tendo uma
história ainda muito vinculada a história dos “grandes homens” e para a manutenção
de uma memória do poder dominante da época.
Nesse sentido, é importante refletirmos
que a Inconfidência Mineira foi um dos pontapés iniciais para que as primeiras
ideias emancipacionistas fossem disseminadas e, por isso, um momento muito
importante para o nosso país. Entretanto, é bom que compreendamos que para além
dessas construções históricas, devemos lembrar que era um movimento elitista,
que tiveram vários outros membros e, que também não defendia a abolição da escravatura
(como na Conjuração Baiana). Ou seja, grande parte da população não foi
incluída nesse movimento. Devemos também ressaltar que Tiradentes era um homem
no tempo dele, com crenças formuladas através de um contexto histórico em que
ele vivia.
Gostou do conteúdo? Comente como
você aprendeu sobre Tiradentes e que outras visões você tinha dele.
Referência:
BALLAROTTI, Carlos Roberto. A
Construção do mito de Tiradentes: de mártir republicano a herói cívico na
atualidade. Antíteses, v. 2, n. 3, p. 201-225, 2009.
SILVA, Joaquim Norberto de Souza
et al. O Tiradentes perante os historiadores oculares de seu tempo: resposta a
um injusto reparo dos críticos da História da Conjuração Mineira. 1881.

Muito interessante, Paula. A Inconfidência mineira é um assunto que gosto bastante. Já li algumas coisas e vejo como aprendi na escola de forma distorcida, sem essa análise que você faz.
ResponderExcluirÓtima abordagem. Gosto muito do assunto, cresci absorvendo inúmeras história sobre Tiradentes, na cidade de Ouro Preto e não me canso de procurar conhecer mais. 👏👏
ResponderExcluirComo faz falta um registro histórico como a fotografia!!!
ResponderExcluir