O IMPACTO (POSITIVO) DAS AVALIAÇÕES MEDIADORAS

 


Parece um conceito difícil em ser aplicado no dia a dia, mas, a avaliação mediadora pode ser a maneira mais justa de obter o retorno do seu trabalho. Isso mesmo, mais do que ver os conhecimentos obtidos por seus alunos, as avaliações servem, principalmente, para medir se os métodos que você vem adotando estão dando certo para a sua turma.

 

A maioria de nós professores passamos por instituições tradicionais, com metodologias positivistas, que mediam o conhecimento do aluno através de testes classificatórios. Geralmente, as avaliações aconteciam através de uma prova engessada e, o aluno precisaria se preparar, torcendo para que o conteúdo da prova fosse o mesmo estudado. Depois, com a correção do professor, nós acabaríamos por internalizar a ideia de sucesso na vida escolar ou de fracasso, a depender da nota que recebíamos. E sem que percebamos, acabamos por não romper esse ciclo, repetindo os mesmos paradigmas com nossos alunos.

Mas, será que essa forma de avaliação mede mesmo todo o conhecimento do aluno? Ou melhor, que tipo de aluno estamos pensando em formar durante o nosso ensino? Bem, esse modelo mais tradicional de avaliação faz com que as provas se tornem documentos de classificação do estudante, e acabam medindo seu valor de acordo com seu maior ou menor êxito. E é claro que o valor de uma pessoa não se mede de acordo com resultados de suas atividades. Com isso, ensinamos aos nossos alunos que mais importante do que a colaboração para um conhecimento coletivo, é prepará-los para a competitividade. Essa forma de avaliação vai em desencontro com o que os Parâmetros Comuns Curriculares (PCN’s) e, mais recentemente, com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que tratam de temas mais transversais como: o exercício da cidadania, alteridade, respeito e cooperação na sociedade.

Saiba mais sobre engajamento dos alunos em suas aulas AQUI.

Ademais, precisamos compreender que a avaliação dos alunos é para medir, primeiramente, o nosso desempenho enquanto docentes, sem deixar de ressaltar que o processo de ensino e aprendizagem não é de responsabilidade única do professor. Por isso, é preciso que essa relação durante o ensino e aprendizagem seja realizada por duas vias: a dedicação do professor e do aluno.

E nós professores? O que podemos fazer para melhorar a nossa forma de avaliação? Bom, nesse sentido, acredito que podemos intercalar avaliações um pouco mais tradicionais com outras mais descontraídas, para que haja maior equilíbrio neste processo. Afinal, ao concluir um ciclo, também precisamos “prestar contas” no diário, para os alunos, pais, comunidade escolar etc. Além da competitividade em meio a um mundo capitalista, que se faz uma realidade em vigência.  Por isso precisamos pensar que não podemos privar aos nossos alunos de preparar para essas experiências, mas, sem que esse modelo competitivo se torne o foco do ensino básico do aluno.

 

ALGUNS CAMINHOS PARA ACOMPANHAMENTOS DA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS

 

Precisamos falar mais sobre o ensino como um processo de colaboração de todos da comunidade escolar. Nesse sentido, a pedagogia de projetos auxilia muito nesse estilo de avaliação, já que possibilita uma maior troca entre os próprios alunos. Você pode ir acompanhando de maneira gradativa o crescimento dos alunos, observando a maneira como eles induzem a um raciocínio ou estabelece hipóteses sobre um determinado contexto. Além de ser um processo alinhado com as metodologias ativas, em que o estudante se torna protagonista e promovendo a autonomia dele frente a novos desafios após a saída da instituição escolar.

A pedagogia de projetos, a grosso modo, tem como intuito fazer com que o aluno construa um conhecimento, a partir de um objetivo, realizando pesquisas referentes a um objeto de conhecimento. Como eu trabalho com a disciplina de História e este blog tem como finalidade a “História Aplicada”, trouxe um exemplo de como trabalhar com pedagogia de projetos:

1)     Entendendo que o professor, neste modelo de ensino, participa como um orientador do projeto do aluno, levante algumas possibilidades de pesquisa dentro do que você acredita que será importante. Por exemplo, se durante aquele bimestre, serão trabalhados os temas do Renascimento, levante alguns objetos importantes como: comparação entre a Idade Média e Idade Moderna, características marcantes da mentalidade do homem deste período, os principais produtos culturais produzidos;

2)    Divida em grupos de interesse. É mais fácil um aluno se engajar em um trabalho se estiver interessado na temática, além, de promover uma maior democratização do ensino;

3)    Comece como algumas orientações sobre quais materiais podem ser consultados, localização de fontes históricas, as possíveis metodologias, como se estrutura uma pesquisa. É claro, que esse tipo de projeto precisa ser adaptado a série correspondente do aluno, não se esqueça disso;

4)   Após o projeto fechado e as pesquisas realizadas, peçam que construam um relatório e uma apresentação do que aprenderam. É muito frustrante você se empenhar em algo e não apresentar seus resultados para ninguém. Além de ser outra maneira de observar o aprendizado que foi construído para além do relatório escrito.

5)    Dê feedback para os alunos, não esqueça de complementar as linhas de pensamento que não ficaram muito claras durante as apresentações. Isso talvez seja a parte mais importante para o aprendizado do aluno, saber se o caminho dele está de acordo com as propostas realizadas no início da construção do projeto.

Espero que vocês tenham gostado deste post e espero ter contribuído com o trabalho de vocês de alguma forma!!!


Abraços virtuais!

 

 

HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação mediadora: uma relação dialógica na construção do conhecimento. Avaliação do rendimento escolar. São Paulo: FDE, p. 51-9, 1994.

PAULO HENRIQUE SIMON; ADRIANO ANTONIO FARIA. AVALIAÇÃO MEDIADORA: PERSPECTIVAS PARA APRENDIZAGEM. Sociolinguística e Ensino. v. 4 n. 1 (2017): Iniciação & Formação Docente 01/2017. Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/revistagepadle/article/view/2011. Acesso em:24 mar. 2022.

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