O DESINTERESSE DOS ALUNOS NO APRENDIZADO E A EDUCAÇÃO PROIBIDA

 


Este título parece estranho vindo de um blog que tem o intuito de contribuir para o conhecimento. Entretanto, é uma reflexão importante para nós professores para se pensar sobre o desinteresse dos alunos para algo que é tão trivial à nossa existência: A EDUCAÇÃO.

 

Em boa parte das vezes quando se fala em educação, logo associamos aos conceitos: escola, professor e aluno. Embora sejam elementos que se interconectam, a educação é um termo bastante amplo e, que pode ser associada a diferentes contextos, podendo principalmente ser dividida em educação formal e informal. Como a educação formal se tornou a maneira mais reconhecida no senso comum de aprendermos na atualidade, associamos com bastante frequência o termo educação às instituições de ensino, como por exemplo, a ESCOLA.

O termo EDUCAÇÃO PROIBIDA, que utilizei para esse post, foi retirado do próprio documentário Educação Proibida e, que recomendo muito que assistam completo, já que traz questões muito pertinentes sobre a Educação. Trata-se de um documentário que traz algumas reflexões sobre como a educação foi estruturada ao longo do tempo e alguns problemas que acarretam no desinteresse dos jovens na educação na atualidade.

Porém, como pode haver um desinteresse dos alunos no aprendizado nas escolas, sendo que aprender é algo tão inerente ao ser humano para que possamos viver em sociedade? Segundo o documentário, o desinteresse parte das estruturas de ensino que não levam em consideração as diferenças de aprendizado de cada sujeito, impedindo o desenvolvimento da criatividade e das experiências dos próprios alunos. Ou seja, durante o processo de ensino e aprendizagem o sistema nos obriga a cumprir um currículo em que, tanto os professores quanto os alunos, perdem a liberdade de escolha sobre quais conteúdos vão ser desenvolvidos. Ou seja, os alunos tem pouca ou nenhuma participação sobre as decisões das escolas. Dessa forma, sem uma participação democrática no ensino, o aluno passa a frequentar os ambientes escolares de maneira obrigatória, desmotivando o interesse em aprender coisas novas.

Além dessas questões, podemos elencar também a maneira que se avalia o conhecimento dos educandos. Estamos ainda muito presos às avaliações tradicionais com provas de questões fechadas. O ideal seria que o professor realizasse uma avaliação mediadora, acompanhando o crescimento dos alunos e auxiliando em suas dificuldades. Nessa perspectiva não existe o erro, mas, sim, tentativas experimentais que auxiliam o estudante a chegar no conhecimento, sem uma pressão institucional e sem rotulações (inteligente e fracassado). As avaliações do ensino tradicional promovem a competição entre os alunos e, a sensação de hierarquia, entre aqueles que “sabem” e aqueles que “não sabem”.

Esse post não tem o intuito de romantizar a educação. É claro que temos um currículo a ser cumprido e, que no final do processo do ensino básico, aqui no Brasil, o aluno se depara com a prova do Enem que é bastante competitiva. O aluno pode se sentir despreparado, visto que essa prova, apesar de vir mudando sua estrutura ao longo dos anos, ainda possui um conteúdo previsto por um currículo. Além do mais, para Sacristán (2000), o currículo é importante para compor um projeto educacional que determina, com maior ou menor influência, que tipo de formação esperamos obter com a educação básica.

Nesse caso, não existe uma fórmula a ser seguida para que os alunos obtenham maior interesse no aprendizado. Entretanto, existem maneiras de fazer com que o aluno sinta que faça parte das decisões em sala de aula. Que tal separar algumas aulas para desenvolver um assunto do interesse deles? Ou, no momento de avaliação, incluí-los na escolha da forma que irão demonstrar o conhecimento que obtiveram? Quem sabe realizar mais aulas experimentais para que eles possam levantar hipóteses para o conhecimento? Não temos uma resposta definitiva, mas, podemos tentar trilhar caminhos mais democráticos para uma educação mais significativa.

 

Referência

SACRITÁN, J. Gimeno. O Currículo: uma Reflexão sobre a Prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Documentário Educação Proibida – Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=OTerSwwxR9Y. Acesso em: 23 mar. 2022.

Comentários