UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE AS FORMAS DE APRENDIZAGEM DA NOSSA HUMANIDADE


 


Como uma historiadora que busca fazer um trabalho sério, preciso dizer que aqui farei um recorte temporal e espacial, mostrando de maneira sucinta, como ocorreram os aprendizados da humanidade ao longo do tempo. Então, não deixe de ler até o final para não sair daqui sem um pouco de aprendizado.

 

Eu gostaria de dizer que o ato de aprender tem uma fórmula prontinha e acabada, podendo ser aplicada em todos os sujeitos e de uma mesma maneira em todos os tempos e lugares. Entretanto, se eu dissesse isso, estaria iludindo meus leitores aprendizes. Acontece que quando estamos aprendendo não percebemos os caminhos que nos levam ao conhecimento e, quase sempre, não nos questionamos como aprendemos determinadas coisas. Como aqui é um blog de Ensino de História, eu não poderia deixar de fora uma breve história das técnicas de aprendizagem que foram desenvolvidas ao longo do tempo, até para compreendermos como funcionam nossos processos atuais de obtenção de conhecimento.

 

A forma como desenvolvemos o ato de ensinar foi refletida, reformulada e adaptada ao longo do tempo na humanidade. A humanidade deu início as formas de aprendizagem através da repetição e da memorização e, posteriormente, foram desenvolvidas técnicas mais voltadas para a construção do conhecimento, através de uma metodologia mais dialogada. Levando isso em consideração, confira algumas formas de aprendizagem ao longo do tempo:

 

OS PRIMEIROS HOMINÍDEOS: PINTURAS RUPESTRES

 

Um dos primeiros registros históricos sobre manifestações culturais do homem são as pinturas rupestres (famosas pinturas das cavernas). Nelas não encontramos (até o momento) uma escrita estruturada como nos dias atuais, para explicar o cotidiano dessas populações. Porém, ali já havia alguma maneira de expressão através de signos que eram “desenhados”, mostrando um pouco da maneira que esse conhecimento era perpetuado entre os hominídeos, que pintavam as cavernas com o intuito de compartilhamento de uma ideia. Veja um exemplo de pintura rupestre logo abaixo. Quais interpretações você poderia dizer sobre a mensagem expressada nessas paredes?


Pintura rupestre feita 12 mil anos atrás na Amazônia da Colômbia

Fonte imagem:  Divulgação/ Last Journey Project

 

Como vocês podem ver, as pinturas rupestres podem ser consideradas uma das primeiras formas de registro e de memorização dos primeiros habitantes da Terra. Através delas, podemos sugerir informações da época sobre como produzir fogo, como caçar em grupo ou sobre quais animais existiam naquela região, por exemplo. O mais interessante é que quando mencionamos as “pinturas das cavernas”, pensamos em algo muito distante de nossa localidade. Acontece que existem também vários sítios arqueológicos aqui no Brasil que contém esse tipo de registro histórico.

 

EGÍPCIOS ANTIGOS E SUMÉRIOS: INTRODUÇÃO DA ESCRITA

 

Escrita cuneiforme – Uruk

 

Fonte imagem: Reprodução/BBC NEWS

 

Essa imagem é de uma tábua encontrada em Uruk (Antiga Mesopotâmia), com a técnica da escrita cuneiforme, que mostra como eram feitas as contagens de objetos da época. Os objetos arqueológicos encontrados em Uruk datam de aproximadamente 5 mil anos atrás. A escrita cuneiforme se caracteriza por símbolos “cunhados” em uma tábua feita de argila. Assim, nasceu uma das primeiras formas de escrita dos humanos e, por consequência, formas de registrar suas culturas, costumes e suas maneiras de eternizar aprendizados.

No Egito Antigo também encontramos tábuas que eram utilizadas como forma de registro de algumas informações. Há relatos de que a aprendizagem acontecia pela cópia repetitiva das informações que os egípcios desejavam ensinar aos seus aprendizes.

 

GRÉCIA ANTIGA E O MÉTODO SOCRÁTICO


Representação de Sócrates

 

Fonte imagem: Reprodução/Blog Toda Matéria


A Grécia Antiga é um período recheado de elementos que fazem parte de nosso cotidiano até os dias atuais. E um desses elementos é o método socrático desenvolvido na escola de Platão que tinha como intuito uma forma de desenvolvimento do raciocínio lógico. Esse método consistia em um aprendizado por meio do próprio diálogo, diferenciando do método de memorização. Percebe-se que essa forma de trocar conhecimentos entre professores e aprendizes é milenar.

 

IDADE MÉDIA: CONHECIMENTO PELA FÉ

 

Aprendizagem Idade Média
Fonte Imagem: Reprodução/Toda Matéria


Nesse período, a aprendizagem institucionalizada era realizada majoritariamente por eclesiásticos, já que havia a concepção de que o conhecimento só podia ser adquirido através da fé. Ou seja, o legítimo conhecimento da época só podia vir de pressupostos religiosos e, não, pela razão. Além disso, o ato de ler era interpretado como uma forma de memorização. Nesse sentido, a leitura era a principal via de aprendizado dos estudantes.

 

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: PRODUÇÃO EM MASSA

 

Com o advento da Revolução Industrial, o ser humano começou a trazer essa lógica de divisão do trabalho e de produção em série para o ensino. Assim, o ensino passou a ser realizado nas instituições com a finalidade de formar os sujeitos para a lógica do trabalho das fábricas e, portanto, baseado na memorização, repetição e pouco pensamento crítico.


Aprendizagem em série

Fonte imagem: Reprodução/Blog Interfaces

 

Com todas essas informações, agora ficou mais claro os motivos pelos quais o nosso ensino tem muitas dificuldades de inovação, já que é uma prática institucionalizada na nossa estrutura de mentalidade da nossa humanidade. É importante ressaltar também que as mudanças no ensino não ocorrem de maneira linear, mas, sim, sempre em movimento. Entretanto, não quer dizer que ela não se modificou ao longo do tempo, já que ainda percebemos muito dessas técnicas em nossas condutas nos dias atuais. Isso quer dizer que o processo de ensino e aprendizagem possui permanências e rupturas ao longo da história.

 

Agora que você tem essas informações, que tal realizarmos um diálogo para que ele possa se transformar em um pensamento crítico? Deixe sua aprendizagem na caixinha de comentários!

Abraços virtuais em todos!


Referências Imagens:


Pintura rupestre: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/arte-rupestre-controversa-pode-retratar-gigantes-extintos-da-era-do-gelo/. Acesso em: 05 abr. 2022.

Escrita cuneiforme: https://www.bbc.com/portuguese/geral-40245708. Acesso em: 05 abr. 2022.

Sócrates: https://www.todamateria.com.br/socrates/. Acesso em: 05 abr. 2022.

Idade Média: https://www.todamateria.com.br/filosofia-escolastica/. Acesso em:  abr. 2022.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: https://facesinterfaces.blogspot.com/2018/06/a-escola-do-seculo-xix_17.html?showComment=1646359392953. Acesso em:  abr. 2022.

 

Referência conteúdo:

 

SILVA, Eleonora Maria Diniz da. A Virtude do Erro: uma visão construtiva da avaliação. Estudos em Avaliação Educacional, v. 19, n. 39, jan./abr. 2008. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/eae/article/view/2471/2425. Acesso em: 05 abr. 2022.












Comentários

  1. Me identifiquei com o método socrático, mas infelizmente tenho pouquíssimas lembranças da época da minha formação de que professores aplicaram essa estratégia de ensino e aprendizagem

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  2. Nenhum método é melhor que outro, todos têm sua importância. Mas é bom que saibamos várias técnicas...

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