AVALIAÇÃO CONSTRUTIVISTA: O USO DO “ERRO” COMO RECURSO DE APRENDIZAGEM


Já parou para pensar no impacto que é promovido quando alguém aponta um “erro” do aluno, sem um retorno, ou sem o incentivo para buscar novas respostas? Bom, o erro nada mais é do que a concepção de que existe um padrão definidor do que se pode pensar e do que não pode. Parece uma visão óbvia, mas, é preciso certificar que o professor tenha consciência disso ao entrar em sala de aula, já que, em boa parte das vezes, o “erro” é associado ao ridículo, à deficiência e ao fracasso escolar; quando na verdade deveria ser um ponto de partida para reformulação de concepções mais adequadas sobre o conteúdo.

 

Saber se houve realmente um aprendizado pelo aluno é uma das dúvidas que mais atravessam a mente do professor. As provas, em boa parte das vezes, geram bastante frustração não só pelos estudantes, mas, também, pelos professores; já que um bom desempenho do aluno pode significar que o trabalho foi bem realizado. Entretanto, é de suma importância ressaltar que somente um tipo de avaliação não é o suficiente para estabelecer parâmetros de aprendizagem.

Quando a avaliação tem um viés mais tradicional, em que se prioriza a reprodução das informações, sem que o aluno mostre o caminho pelo qual acessou tal conhecimento em sua mente, faz com que seja priorizado o aprendizado pela memorização. Já quando a avaliação é do tipo diagnóstica, a construção do conhecimento se torna o caminho e a principal via do ensino. É importante notar que os dois tipos de avaliação supracitados são recursos necessários para o ensino e aprendizagem, só que, a avaliação tradicional tende a compreender o “ERRO” como algo que não precisa ser aproveitado no ensino; enquanto na avaliação construtivista o “erro” é um componente que viabiliza ao aluno elaborar novas ideias.

 

A VALORIZAÇÃO DO “ERRO”: A ABERTURA PARA UM APRENDIZADO CONSTRUTIVISTA

 

O que seria uma valorização do “erro”? Em poucas palavras, seria um aprendizado em que o professor observa os caminhos que levaram àquela informação demonstrada pelo aluno, percebendo onde há inadequação e apontando outras hipóteses para que o aluno chegue em uma conclusão mais ajustada ao tema proposto. Ou seja, é através do diálogo, da troca de conhecimentos e do incentivo à pesquisa que a avaliação ocorre.

O “erro” se torna um caminho para que o aluno tenha novas concepções e não um mecanismo de inibição de sua exposição. Nesse tipo de abordagem, a informação que não se encaixa no contexto é reaproveitada para que o aluno promova reflexão. Contudo, no momento em que o professor aponta o equívoco, mas, não faz um retorno para o aluno, se perde a oportunidade da ressignificação, redescoberta e reinvenção de uma perspectiva.

 

ALGUNS EXEMPLOS DE AVALIAÇÃO CONSTRUTIVISTA

 

Nesse sentido, é pertinente trazer algumas formas de avaliação construtivista para que ela se torne mais plural durante o trabalho do professor:

1)     Entrevistas: utilize de uma conversa particular para observar como o aluno constrói seu conhecimento e quais as noções preliminares ele possui. Sugira outros pontos de vista, dê um feedback e incentive a curiosidade a ponto que ele realize outras pesquisas.

2)    Portifólios: incentive a demonstração do conhecimento de maneira livre. Dê espaço para que o aluno mostre seu conhecimento da forma que ele achar mais confortável. Por vezes, dar abertura para que os alunos decidam como será avaliação pode ser bastante promissora.

3)    Estudo de casos: permita que o aluno mostre seu conhecimento a partir da resolução de algum problema e mostre seus passos para chegar em seu resultado. É um quebra-cabeça bastante desafiador e que vai explorar diferentes campos de conhecimento.

4)   Perguntas abertas: essa já é bastante comum, entretanto, é interessante demonstrar, já que, não obriga ao aluno a ter um conhecimento muito especializado. As vezes o que ele aprendeu não coincide com a forma de construção da avaliação definida pelo professor. Nesse caso, incentive a realização de textos argumentativos e, assim, seu diagnóstico pode ser mais integral.

 

Dessa forma, as possibilidades de uma avaliação do tipo construtivistas são bastante plurais e auxiliam de forma significativa o trabalho do professor. Ao passo que para o aluno esse tipo de abordagem auxilia no processo criativo da construção coletiva de conhecimento.

 

Referência:

 

SILVA, Eleonora Maria Diniz da. A Virtude do Erro: uma visão construtiva da avaliação. Estudos em Avaliação Educacional, v. 19, n. 39, jan./abr. 2008. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/eae/article/view/2471/2425. Acesso em: 05 abr. 2022.

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