Quando
Napoleão Bonaparte estava em projeto de construção de seu Império, várias
outras nações europeias se viram pressionadas pelo exército francês, com receio
de invasão de seus próprios territórios e a consequente dominação que esse
processo implicaria. Portugal não foi diferente: naquele momento a Corte Portuguesa
já pensava nas soluções caso Napoleão viesse a invadir terras lusitanas.
Este post será o primeiro, de uma
série, que mostra como se modificou o cenário brasileiro com a chegada da
Família Real Portuguesa no Brasil. Este evento, deu início ao processo de
Independência do Brasil, já que, foi nesse momento que o Pacto Colonial começou
a ser quebrado e a população sentiu o que essa liberdade econômica representava
na vida delas. Assim, hoje a narração norteará algumas curiosidades sobre como
foi o impacto da chegada da Corte Portuguesa no Brasil.
Os
primeiros passos...
Em 1808, chegam na cidade do Rio de Janeiro D. Maria I, seu filho Príncipe Regente D. João VI e sua esposa D. Carlota Joaquina, juntamente à boa parte da Corte portuguesa. Foram cerca de 10 mil pessoas que embarcaram na trajetória para nova sede, sendo, representantes da realeza ou funcionários reais. Nesse momento, Brasil mudaria bastante a dinâmica da cidade fluminense, já que haveria uma adaptação para os costumes de Portugal. Além do mais, o Brasil começava a se transformar em Reino Unido de Portugal e Algarves. Ou seja, pela primeira vez o Brasil não teria apenas a condição de Colônia, mas, sim, um território pertencente à Metrópole (Portugal) e que ainda por cima seria sede da realeza.
As principais mudanças consistiram
na afirmação da Coroa como uma figura representativa de seu povo, uma vez que a
população local ou já tinha desacostumado com a presença da monarquia, ou nasceram
na Colônia e nunca tiveram contato com uma centralização política tão
demarcada. Assim, o primeiro passo foi a acomodação de tantos membros da realeza.
As pessoas que viviam na cidade do Rio de Janeiro eram retiradas de suas casas,
através da fixação das iniciais “PR”, que representavam a expressão “PRÍNCIPE
REGENTE” e que também significavam as suas próprias desapropriações. À época,
as pessoas passaram a ironizar essas siglas dizendo que significavam “PONHA-SE
NA RUA”. Comportar tantas novas pessoas em uma cidade do século XIX não foi
fácil e, com isso, vários problemas estruturais como os de carência de abastecimento
de água, saneamento e segurança pública vieram junto com a Família Real.
Podemos elencar também como fator
de mudança o aumento populacional que a Família Imperial proporcionou na
estruturação do Brasil, tanto por meio do estímulo da imigração de europeus,
tanto pelo maior tráfico de africanos para serem escravizados. Esses dados
podem ser analisados no livro A família
real no Brasil: política e cotidiano (1808-1821) escrito pela historiadora Juliana
Gesuelli Meirelles:
Tabela
crescimento populacional
Fonte: Reprodução/
Juliana Gesuelli Meirelles, pag. 12
As
solenidades com a figura da corte
A chegada da Corte Portuguesa trouxe
também uma maior representação das solenidades que enfatizavam a figura da
monarquia. Essas solenidades tinham como intuito estratégico o reforço dos
laços entre os súditos e os monarcas. Dentre todas essas elencadas, podemos
destacar a cerimônia de BEIJA-MÃO, que acontecia todos os dias, perto de 8
horas da noite, no palácio de São Cristóvão. Nesse momento, D. João recebia
seus súditos que beijavam a mão da figura monárquica. Para D. João, esse momento
era importante para reforçar a importância de sua presença política; já para os
súditos - quase sempre os que obtinham maior influência econômica -, esse momento
era estratégico para pleitear cargos e nomeações.
Dia do
beija-mão da Corte: estampa Inglesa do Museu Hist. Nac.
Fonte:
Reprodução/ Juliana Gesuelli Meirelles, pag. 29
Esses fatores são muito
importantes para compreender estratégias de manutenção e reafirmação da política
na monarquia. Além de dar espaço para estabelecermos através da volta ao
passado, alguns contrastes com as formas de manutenção do poder em nosso presente.
Aguardo vocês nos próximos
capítulos...
Abraços virtuais!!!
Referência:
MEIRELLES, J.G. A família real no Brasil: política e
cotidiano (1808-1821) [online]. São Bernardo do Campo: Editora UFABC, 2015, 91
p. ISBN: 978-85-68576-96-0. https://doi.org/10.7476/9788568576960.


Vou acompanhar mais do que na época que eu assitia novela!!
ResponderExcluirIsso mesmo! Vamos significando nossas vidas!
ExcluirIsso mesmo, vamos significando nossas vidas...
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