UMA REFLEXÃO SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS NO ENSINO DE HISTÓRIA




Este post foi baseado em minhas percepções como professora e, principalmente, no artigo "Metodologias ativas no ensino de História: um caminho para o desenvolvimento da consciência crítica", escrito por Marina Garcia de Oliveira


Nós historiadores (as) somos habituados a olhar com encanto o passado (ou deveríamos), procurando compreender o presente, obtendo um olhar reflexivo sobre o contexto. Ainda lemos em livros impressos, gostamos de aprender e ouvir pessoas mais velhas, além de ver objetos históricos e ficarmos nos interrogando como era a vida das pessoas que os manuseavam.

A contramão desse nosso olhar para o passado, o presente parece cada vez mais próximo do futuro. O  mundo está mais conectado, as informações chegam em uma velocidade significativa, as crianças já nascem aprendendo a lidar com as tecnologias digitais na prática, e muitas vezes, até de maneira autônoma. E a disciplina de História parece bastante distante da realidade dessa nova geração.

Então, como articular os saberes dos professores de História com os saberes dessa nova geração? 

Esse post não tem a intenção de trazer soluções de curto prazo. Apenas, trazer algumas reflexões sobre nossas práticas, para podermos aproximarmos um pouco mais dessa geração, que é imediatista e bombardeada de informações em boa parte do tempo, sendo necessárias orientações para conduzir melhor essas informações que chegam para eles, de maneira a proporcionar um pouco mais o conhecimento crítico.

METODOLOGIAS ATIVAS

As metodologias ativas priorizam o aprendizado e as atividades dos alunos, sem retirar a função do professor. Esse tipo de metodologia traz como ideia centralizadora a solução de um problema do cotidiano do aluno, despertando maior interesse no assunto e nas teorias, além de proporcionar maior significado na vida do estudante. Ou seja, é observado um engajamento maior por parte dos alunos na participação das aulas. Além do mais, os alunos conseguem ter maior autonomia de aprendizagem, sendo uma alternativa possível para a construção de um espírito crítico após concluído o ensino formal.

Isso não quer dizer que essa é a melhor metodologia, tampouco, dizer que o professor não é mais necessário no aprendizado dos alunos. Significa que o professor vai desenvolver um trabalho de mediador do conhecimento, mostrando e orientando como conseguir aquele conhecimento, bem como lapidar o que o aluno trouxer para a sala de aula. Nesse sentido, é bastante necessário um olhar atento na forma como o aluno desenvolveu seu raciocínio para que o professor possa complementar com o seu conhecimento teórico.

O ENSINO DE HISTÓRIA NESTE CONTEXTO

Antes de abordar esse assunto, gostaria de ressaltar que esse tipo de metodologia não promove um aprendizado imediato. E nem existe um manual com instruções de como aplicá-los. Pode ser uma metodologia que possa gerar bastante frustração durante o processo de ensino e aprendizagem, já que os alunos, muitas vezes, acostumados com um ensino mais tradicional, podem criar resistência para a realização de tarefas. É preciso que o professor tenha paciência para analisar situações, outras vezes sensibilidade para intermediar conflitos, ou ter uma atuação mais voltada para o conhecimento interdisciplinar. Entretanto, é uma maneira de conseguir conciliar as propostas dos Parâmetros Comuns Curriculares (PCN's) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que tratam de temas transversais de ensino.

Partindo para questões particulares do ensino de História, é importante apontar que a teoria baseada em memorização de datas e eventos não são setores mais importantes para a compreensão da disciplina. Uma alternativa para que o ensino seja realmente significativo para os alunos, é relacionar momentos da atualidade com o passado, demonstrando as permanências e rupturas entre os conteúdos.

Para isso, uma sugestão seria fazer um levantamento entre os alunos, sobre o que eles gostariam de aprender e pedir que realizem uma pesquisa prévia de algumas informações. Assim, o professor pode ser responsável em ser o "costurador" e "organizador" das ideias, construindo junto aos alunos, um fluxograma com o panorama de ideias.

Outra sugestão seria desenvolver grupos de debate, determinando a função de cada aluno no grupo. Os alunos podem participar ativamente da construção do conhecimento e, posteriormente, apresentar e compartilhar suas ideias para a turma.

E por fim, para este post, deixo a possibilidade de realização de leituras de reportagens e outras fontes históricas escritas,  junto aos alunos, para que eles possam aprender sobre o vocabulário específico de História, já que é um dos problemas da aprendizagem dessa disciplina por parte dos estudantes.

Espero que tenham gostado do post de hoje e que possa ser uma ferramenta para contribuir com o trabalho de vocês!

Abraços virtuais!

Referência

OLIVEIRA, Marina Garcia de. Metodologias ativas no ensino de História: um caminho para o desenvolvimento da consciência crítica. In: LOPES, Andreza regina et all (org). Metodologia ativa na educação. São Paulo: Pimenta Cultural, 2017. 150p.


Comentários

  1. Muito bom o texto. Também sou professora de História. De fato algo que nos leva a refletir e nos ajuda a enfrentar a famosa pergunta: Pra que estudar sobre pessoas que já morreram? Parabéns!!

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    1. Muito obrigada, sempre fico muito feliz com os comentários que recebo! Tenho tentado traçar esse vínculo entre aluno e ensino, é uma das minhas maiores dificuldades. Mas acho que é tentativa e erro, né? O importante é a gente sempre refletir sobre nossas condutas em sala de aula.

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