Levante a mão quem
já escutou um funk para animar seu dia? ✋Hoje, eu trouxe um FUNK para ser
trabalhado em duas esferas: fonte histórica e símbolo de manifestação social. O
funk produzido pela Mc Carol, chamado “Não foi Cabral”, problematiza a ausência da visão dos povos nativos frente a predominância da história
narrada pelos europeus, que conta a chegada dos portugueses a partir da visão
dos grandes heróis.
Antes de ler na íntegra esse
post, sugiro que escute a música de Mc Carol, disponibilizada nos links abaixo.
Apresento a vocês em duas versões: uma pela própria Mc Carol e outra pelo Mc
Leozinho.
MC CAROL: NÃO FOI CABRAL
MC LEOZINHO: NÃO FOI CABRAL
Em ambas as versões é promovida a
reflexão sobre o ENSINO DE HISTÓRIA que continua sendo construído,
principalmente, pela perspectiva do europeu. Embora seja tema recorrente nos
cursos História, o discurso de que é importante repensar a historiografia, enfatizando
a necessidade de ampliar os olhares para outras versões da História, ainda é uma
realidade de muitas instituições escolares. Muitas vezes, as escolas podem
apresentar a dificuldade de abordagem da história dos indígenas e dos africanos
- que também compuseram a identidade do povo brasileiro - tendo um discurso
pautado na narrativa dos grandes heróis, como por exemplo, a própria chegada de
Pedro Alvares Cabral no Brasil. Nesse sentido, Mc Carol discute essas questões
em seu funk NÃO FOI CABRAL, relatando a presença de indígenas e
africanos na construção da História do Brasil, sendo assim, também, uma
manifestação social e popular sobre a forma que a História do Brasil foi e é
contada nas escolas.
Pensando nisso, e na pesquisa de
Melissa Bazzo D’avila e Mônica Martins da Silva, intitulada A música no
cotidiano escolar: o funk e o RAP como elementos da cultura juvenil, hoje, trouxe
algumas possibilidades de trabalho com essa música sendo tratada como fonte
histórica no ensino do tema das Grandes Navegações e Colonização do Brasil. Segundo as pesquisadoras, os
jovens de hoje possuem maiores preferências pelos ritmos de FUNK e RAP. Esses
dados foram coletados durante a pesquisa realizada pelo Programa Institucional
de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Nessa pesquisa, as autoras enfatizam
que o FUNK é um meio de manifestação política de movimentos populares da
periferia que, muitas vezes, são vistos com preconceito pelas camadas mais
elitizadas da sociedade. Dessa forma, faz sentido trazer um gênero musical que
já faz parte do próprio cotidiano de boa parte dos alunos, já que são sujeitos
que usam da música como forma de se comunicar, entreter, socializar através de
canto e coreografias em videoclipes pelas redes sociais.
ALGUNS PONTOS DO FUNK “NÃO FOI
CABRAL” PARA O ENSINO DA COLONIZAÇÃO
A primeira ideia que obtive
quando escutei essa música foi que ela poderia ser um ponto de partida, ou uma
abertura, para iniciar o tema da Colonização do Brasil, bem como as
consequências que esses eventos trouxeram para os povos originários. Mas, é indispensável que a letra seja
discutida, porque contém elementos muitos valiosos que pouco são mencionados em
sala de aula, tais como: a importância da Dandara nos Quilombos dos Palmares, além dos motivos das mortes dos povos indígenas.
Outra forma de se trabalhar,
seria apresentat a música no final da aula para fechar o assunto e, partir para a exploração de
temas mais atuais. Você pode pensar nos direitos de demarcação de terras dos
povos indígenas do Brasil, o preconceito e a discriminação dos afrodescendentes
e a presença dos negros após a Abolição da Escravatura etc.
Dessa maneira, os alunos aprendem
sobre os conteúdos do passado e conseguem estabelecer uma ponte para a
identidade nacional, ou até mesmo, da identificação do próprio grupo em que
pertencem. Ou seja, a questão da formação das várias identidades que constituem
a identidade do povo brasileiro.
Espero que tenham gostado dessa postagem
e, muito obrigada pela leitura de mais um post do meu blog.
Abraços virtuais!
Referência:
D’AVILA, Melissa Bazzo. A
música no cotidiano escolar: o funk e o rap como elementos das culturas
juvenis. 2017.Disponível em: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/8150. Acesso em: 25 mar. 2022.
Se tivesse botão de curtir esse post teria milhões de "likes"!!!
ResponderExcluirEstamos trabalhando para isso hahahaha
ResponderExcluirCurti! Adorava quando os professores usavam músicas na aula principalmente músicas inesperadas
ResponderExcluirBom saber disso. Pretendo usar mais esse recurso esse ano! Obrigada pela visita!
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